Ter filho é um barato, não tem quem não curta. Educar é pedreira. A quantidade de “nãos” que temos que dizer diariamente é infernal. Muitas vezes, a gente não aguenta e joga a toalha. É mais fácil e agradável ser amigo, conversar só sobre coisas amenas, falar que a vida é show e – o mais perigoso do discurso – dizer que seu filho vai ser uma pessoa feliz. Por quê? Porque ele é bonito, fofinho, simpático e você quer que seja assim.
Pena que nem sempre a vida seja um comercial de margarina. E alguém tem que fazer o trabalho sujo de dizer isso pra molecada. Infelizmente essa tarefa cabe a você, pai e a você, mãe. Seria muito melhor cobrir a criança – que às vezes já tem 28 anos – de beijinhos, depois que ela pisou na bola e convencê-la de que nunca mais fará isso, mesmo que ela não faça o menor esforço pra mudar.
Será que você estará ajudando, asfaltando toda a estrada por onde o pimpolho vai passar? Claro, ele vai adorar não ter conflito, mas e no futuro, como vai ser? Será que seu chefe vai repetir essa atitude? Será que ele vai aprender por conta própria a ter responsabilidade, já que você abriu mão desse papel? Educar é complicado. E frequentemente muito chato. Fazer o quê? Afinal, a gente quer deixar uma figura maneira no mundo, né?
Recentemente me caiu nas mãos um discurso sucinto que o Bill Gates fez aos formandos de uma universidade americana. São onze regrinhas básicas que, segundo ele, as escolas não ensinam. E, pelo que tenho visto, nem os pais. Olha só:
Regra 1: A vida não é fácil. Acostume-se com isso.
Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua autoestima. O mundo espera que você faça alguma coisa de útil por ele (o mundo) antes de aceitá-lo.
Regra 3: Você não vai ganhar vinte mil dólares por mês assim que sair da faculdade. Você não será vice-presidente de uma grande empresa, com um carrão e um telefone à sua disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e ter seu próprio telefone.
Regra 4: Se você acha que seu pai ou seu professor são rudes, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.
Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seu avós tinham uma palavra diferente para isso. Eles chamavam isso de “oportunidade”
Regra 6: Se você fracassar, não ache que a culpa é de seus pais. Não lamente seus erros, aprenda com eles.
Regra 7: Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então, antes de tentar salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente arrumar o seu próprio quarto.
Regra 8: Sua escola pode ter criado trabalhos em grupo, para melhorar suas notas e eliminar a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar para ficar de DP até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola está despedido… RUA! Faça certo da primeira vez.
Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre férias de verão e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.
Regra 10: Televisão não é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.
Regra 11: Seja legal com os CDF’s – aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas. Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.”
Acho que o discurso inspirador que Bill Gates fez para os formandos da universidade poderia, com algumas adaptações, também ser feito para os pais na saída das maternidades. Poderia ajudar algumas fichas a cair. E confesso, a minha também!
Texto de Hélio de La Pena