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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Algumas Palavras sobre " A menina que roubava livros"

Tocante é uma frase que não consegue nem de longe expressar a grandiosidade dessa obra, Chega até me faltar adjetivos para o livro. Fiquei tão íntima da menina e da narradora da história que frequentemente me confundia com a personagem principal. Talvez a identificação com algum aspecto do enredo ou mesmo com a Liesel, a roubadora de livros, seja fator indispensável para o deleite da obra, os críticos literários que me perdoem se estiver soltando impropérios. Mas é o que penso. Enfim, voltemos à obra. O fato de a morte ser a narradora pode até parecer macabro a alguns, admito que a mim inicialmente também pareceu, entretanto a morte não é tão ruim como a pintam. Sob o ponto de vista da obra ela pode ser sarcástica e até mesmo engraçada, inevitavelmente triste, é bem verdade. Porém, quanto a isso não há remédio, não é mesmo? Não foi exatamente a narradora que me conquistou ( ainda bem) e sim o todo, com os Hubermanns, os Steiners, Max, a Mulher do Prefeito e os personagens secundários mas não menos importantes. A história da pequena Ladra de livros me reportou a um momento da minha própria vida em que constantemente fugia de casa para me enfiar em um pequeno espaço de leitura de uma professora que tinha como vizinha. Um período de minha história em que me perdia e me achava constantemente em meio as palavras, momento em que esquecia tudo, da fome, dos problemas e do mundo. A menina que roubava livros oportuniza muitas reflexões, algumas muito óbvias pelos próprios destacamentos, por exemplo, o indubitável poder transformador das palavras, e outras nem tanto, como o extraordinário valor de pessoas que perante a sociedade gozam tão somente do rótulo de inexpressividade. Algumas pessoas assim já passaram na minha vida me deixando ensinos inestimáveis. Uma frase especificamente me tocou bastante na obra, diz respeito a uma análise feita pela morte (a narradora) sobre a figura humana, em síntese ele dizia: Eu frequentemente, subestimo ou superestimo o homem, mas dificilmente apenas o estimo. Nisso pensei, pois é Dona Morte o homem e o perigoso transitar entre os extremos. A frase dita pela narradora (a morte) se justifica pelos horrores presenciados no período em que a história se passa, a 2ª Guerra Mundial, e pela infelicidade que a mesma inevitavelmente teve que causar a pequena Ladra de livros. Coisas do ofício. Muitas lágrimas teimosas irromperam pelo meu rosto ao ler a obra, primeiro por eu ser assumidamente uma manteiga derretida, segundo porque a obra é tão envolvente que passamos sentir a dor da personagem, suas perdas e a lástima de vidas interrompidas sejam elas fictícias ou reais, pois sabemos que os horrores da guerra foram bem reais. A leitura provoca uma verdadeira catarse. O triste cenário de uma guerra sempre tem a capacidade de chocar e expor o que de mais fétido e pútrido o homem possui, ódio, intolerância, indolência, estupidez e outros pontos que não merecem destaque, por isso paro a lista aqui. Aconselho aos amantes de uma boa leitura investir no primor de “A menina que roubava livros” por todas as emoções que a obra propicia e pela profunda reflexão que provoca. A amizade, o beijo não dado, os xingamentos como forma de carinho, Os olhos prateados apreciadores de um bom acordeão, um lutador judeu, assim como uma corajosa menininha que enternece seu algoz, deixarão de ser meras citações e passarão a fazer completo sentido. Acredite e permita-se enveredar pelas páginas da história de Liesel.