Total de visualizações de página

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Palmatória do Mundo

Ninguém me avisou que viver seria tão difícil... Se soubesse disso, teria rapidamente escapulido novamente para barriga da minha mãe. Minha ternurinha... A única pessoa na terra, que me conhece profundamente. Minha mãe sabe dos meus defeitos, detesta-os. E sabe elencar melhor do que ninguém minhas virtudes. O que não a poupou do imenso criticismo alheio que carrego comigo. Um dia meu pai até me apelidou de palmatória do mundo e foi ele também quem disse que eu jamais seria feliz na vida. Chato ouvir isso de um pai né? Confesso que doeu, e ainda dói. Especialmente quando você se habitua a ideia culturalmente disseminada de que os pais devem, aconselhar, repreender, amar, mas nunca amaldiçoar seus filhos. Essa frase ecoa ainda hoje de uma forma tão ensurdecedora que me pego a questionar se todas as situações de infelicidade da minha vida decorrem dessa sentença. Reluto em acreditar nisso. Ainda bem. Caso contrário, viveria escravizada por essa ideia descabida.

Gostava mais da minha vida quando a via de forma simples, quando, do alto da minha ingenuidade de menina, cria em um mundo desprovido de pessoas ruins. Imaginava que todo mundo se esforçava diariamente para ser bom. Não no sentido de ter e poder, ou de ser proficiente no que faz, só de amor e respeito pelo outro mesmo. Hoje, ser bom assumiu tantas conotações que aquela minha ideia de menina perdeu o seu valor.

O tempo passou, eu cresci e agora, tudo o que sei, é que não existe um mundo maniqueísta, apenas transeuntes tentando administrar o mau e o bem dentro de si. Em tempos que o significado de bom tornou-se sinônimo de fraqueza, a balança pende desfavoravelmente aos sentimentos saudáveis. Não é à toa que gostava dos meus pensamentos infantis, a realidade adulta, a qual somos submetidos diariamente, não inspira boas sensações.


A luta constante para fazer prevalecer bons sentimentos como amor, bondade e compaixão é árdua, especialmente quando você se depara com cenas inspiradas pelo egoísmo, incompreensão e desamor. É desolador. Não sou mais a palmatória do mundo. Tornei-me    palmatória de mim mesma. Percebi que criticar a tudo e a todos não me levará a lugar algum, exceto a uma ilha. Mas nada me impede de procurar pautar ao menos a minha conduta no que acredito ser ético, respeitoso e valioso. Ainda que me leve a uma ilha.